AS MÃOS DA SRTA. KOBAYASHI
As mãos da srta. kobayashi nem sempre concordam com a propia.
Ontem fomos visita-las, tinha pasado um mês desde nosso último encontro, algumas coisas tinham mudado com a gente, eu falava menos, ela falou bastante, contou-me de seus dilemas entre Paris e São Paulo, entre entre o dentro e o fora, entre o verão e o inverno... mas, suas mãos, me sorriram desde o momento que que entramos na casa, a emoção delas era espontánea e sincera. Finalmente na cozinha elas (as dela) encontraram as minhas e deram um abraço tão sentido e carinhoso que atê nós (a srta. Kobayashi e eu) paramos para ver, elas rodavam acima da mesa se amando sem pudores, brincavam como dois filhotes, era lindo de se ver.
É claro que as mãos não falam, mas decodificando, era possivel entender uma mútua declaração de saudade, amizade, amor. E minhas mãos
queríam tanto ouvir aquilo das dela.
Lembro da primeira vez que elas se encontraram, foi no café do cinema; minhas mãos e eu reparamos logo nas dela, uma segurava um cigarro, a outra uma xícara, a do cigarro, (a direita), a mais simpática me sorriu de imediato. A minhas, um pouco tímidas ainda, erguíam o capuccinho com falsa elegancia. A srta. Kobayashie eu conversamos longas horas sobre filosofía, cinema... nos entendemos bem, foi amizade a primeira vista. Nos dias que se seguiram trocamos belos textos, reflexões profundas. Mas não foi se não atê nosso segundo encontro que elas (nossas mãos) se conheceram de fato. Nos fomos no cinema e depois na lanchonete, la ficaram muito perto umas das outras e as minhas mal conseguíam se segurar nos talhers, elas estavam ansiosas e eu tambem. Minutos depois caminho do café, elas me perguntaram que se podíam tocar nas dela, e eu expliquei discretamente que era para isto necesaria a aprovação da proprietaria, finalmente, eu intercedí por elas e pedí sua permissão. Ela aceitó e atravessamos a av. paulista, (a srta kobayashi, as quatro mãos e eu).